A Gestão de Capital de Giro em Tempos de Crise – Parte 1

Em tempos de crise as empresas demitem pessoas, enxugam custos, apertam o caixa e revisam todo seu DRE em busca de outros “custos escondidos”. Em tempos de crise, as empresas preparam-se para a pior tempestade, já no primeiro vento forte. Quando perde-se a confiança macroeconômica, as mudanças microeconômicas imperam.

Decisões de curto prazo são muito comuns em momentos de difíceis, mas não são elas que levam a empresa a atravessar a tempestade. Na esperança de resolver o problema de caixa rapidamente, a medida mais óbvia é alongar os prazos de pagamento de fornecedores. Porém, ao alongar tais prazos, as grandes empresas deixam seus fornecedores em situação desastrosa, começa aqui o clássico efeito dominó, onde a última peça pode ser a própria empresa.

De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, o prazo médio das carteiras de duplicatas quase triplicou no último ano, atingindo 101 dias, reflexo desses alongamentos. Para piorar, as taxas concedidas para esses fornecedores, tomadores de créditos, também subiram de forma espantosa, atingindo 2,9% ao mês. Ou seja, em um desconto de duplicatas médio, o cedente (detentor do direito do crédito) perde quase de 10% do valor de seu título somente em juros (lembrando que os cálculos de taxas nessas operações são calculadas por juros simples). Para referência há apenas 2 anos esse número era próximo a 3%.

Além da crise, há um outro fator que amplia os efeitos negativos. O mais curioso é que ele é gerado pelas próprias empresas. Iremos falar sobre ele em nosso próximo post.

Até lá!

Rafael Coelho

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