A Gestão de Capital de Giro em Tempos de Crise – Parte 3

Nos posts anteriores falamos a respeito dos efeitos negativos sobre o fluxo de caixa das empresas, gerado tanto em momentos de crise, quanto em alguns casos por pressão de grandes empresas.

O Financiamento da Cadeia de Fornecedores (também conhecido por Supply Chain Finance, ou sua sigla SCF) surgiu para tentar solucionar esse problema, criando um programa junto às grandes empresas para buscar crédito a seus fornecedores, levando-se em conta o risco de crédito da pagadora (o sacado) e não mais do tomador (o cedente). Isso muda completamente o jogo, já que na maior parte das vezes o pagador é uma empresa maior que seu fornecedor, por isso possui custos de crédito mais baixos.

O grande problema da SCF é que apesar de diminuir o custo do crédito, ele deixa a operação nas mãos de um único financiador, normalmente o banco parceiro. Essa modalidade já é um grande avanço para os fornecedores com crédito limitado, mas ainda há muito a se fazer. O Brasil carece de um mercado de crédito mais dinâmico e moderno. Hoje, as empresas brasileiras ainda são muito dependentes de grandes bancos e as alternativas disponíveis são caras. Em mercados mais maduros os fundos de crédito tem um papel de destaque no mercado, enquanto aqui ainda são meros coadjuvantes.

Vejamos agora um modelo de SCF moderno, que seja capaz de unir as vantagens do modelo atual, mas enderece o problema de um único financiador. Esse modelo pode ajudar muito nessa mudança, pois é capaz de colocar vários interessados em tomar o risco de uma grande empresa – a qual não tem títulos lançados no mercado de crédito formal – para competirem entre si em busca de uma taxa que seja vantajosa para o fornecedor dessa grande empresa. É um modelo ganha-ganha, já que os compradores desses títulos passam a ter acesso a um mercado de risco que, até aquele momento, era inexistente e os vendedores dos títulos conseguem taxas mais atraentes que as praticadas em seus bancos. Diminuindo a dependência desses dos bancos tradicionais. Soluções como essas tem ajudado muitas empresas nos países com desenvolvimento tecnológico maduro e acabam de chegar ao Brasil.

A verdade é que pensar em soluções que sejam vantajosas para toda a rede de envolvidos no negócio é sempre mais difícil que pensar em algo menos abrangente, mas é mais duradoura. No Brasil falta visão de longo prazo. Quando os ventos fortes começam a surgir novamente, é que nos lembramos que não é na tempestade que se troca o telhado.

Até a próxima! Um abraço.

 

Rafael Coelho

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